Importados começam a avançar sobre segmentos antes dominados por nacionais

Importados começam a avançar sobre segmentos antes dominados por nacionais

Procura-se oferecer qualidade sem ter todo ônus de uma marca premium

OLHO NO FUTURO

O processo de escolha de um veículo para ser importado é similar ao roteiro de uma montadora para fabricar um carro no Brasil. Inicialmente é feito um estudo do mercado, com pesquisas para detectar possíveis demandas. Seja dentro do segmento de compactos ou de médios. "Antes de tudo, é necessário identificar se há de fato um mercado de vendas com potencial para atender às expectativas da empresa", enumera Alfredo Sestini Filho, presidente da Suzuki Veículos.

A partir daí, começa a escolha do modelo e o estudo sobre sua viabilidade. Neste tempo são analisados preços, distribuição de peças, logística e pós-venda. "A visão tem de ser a mais ampla possível. Se faz previsão de produto para lançamento no mercado, não se olha só o produto, mas tudo que ele envolve", explica Markus Stricker, vice-presidente da consultoria AT Kearney.

Trata-se de um processo que, incluindo a homologação do modelo para ser comercializado no Brasil, pode levar mais de um ano. Por esta razão, as montadoras precisam fazer um planejamento e uma análise já pensando a médio e longo prazo. "É preciso fazer um exercício de futurologia. Ou seja, tem de se imaginar o que o consumidor vai querer daqui a um, dois anos", reconhece Ary Jorge Ribeiro, diretor de vendas da Kia.

ACELERADAS

  • O processo de homologação de um modelo importado leva, em média, de três a quatro meses.
  • Os automóveis importados dos países do Mercosul estão isentos de tarifa alfandegária, enquanto os vindos do México pagam uma alíquota de 1%.
  • O ano passado, foram importadas 362.411 unidades de veículos - 234.677 da Argentina, 53.229 do México e 74.505 de outros países.
  • A retração dos mercados europeu, norte-americano e japonês também ajuda a importação de modelos para o Brasil. Consultores e executivos reconhecem que sobra mais carros lá fora que podem ser absorvidos pelo mercado brasileiro.
  • A Hyundai vai fazer o Tucson atual em Anápolis, Goiás, e a Kia aguarda a receptividade do Soul para decidir sobre sua produção em Salto, interior de São Paulo.
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